Da animação ao DJ: como aprendi a ler uma pista

Antes de ser DJ, fui animador. E ainda bem, porque foi a animação que me ensinou a coisa mais importante que sei fazer numa cabine: olhar para as pessoas antes de olhar para a música.
Primeiro, o microfone
Comecei com jogos, dinâmicas, brincadeiras — aquilo que tira alguém da cadeira e o põe a rir antes de dar por isso. Anos disso ensinaram-me a sentir quando acelerar e quando deixar respirar. E a distinguir uma sala que aplaude por educação de uma sala que aplaude porque já não consegue estar quieta.
Essa atenção às pessoas é exatamente o que separa um DJ que carrega no play de um DJ que conduz uma festa. Só o percebi bem quando mudei de lugar.

Depois, a cabine
Passar para DJ não foi mudar de profissão. Foi juntar as duas. Quis aprender a sério a parte técnica: a mistura, o BPM, aquela passagem de uma música para a outra que ninguém nota mas toda a gente sente.
E tive sorte com quem me ensinou. O DJ Moon (Miguel Ribeiro) e o Davi Lelo mostraram-me que a música está ao serviço do momento, e não o contrário. Ainda hoje me lembro disso quase todos os fins de semana.

O que faço hoje, lá em cima
Quando estou na cabine não estou só a pôr músicas. Estou a ver que mesa ainda não se levantou, que geração está na pista, de onde vêm os convidados — e decido a próxima música a partir daí. Do clássico português ao hit internacional, do samba ao afrobeat. Cada escolha tem um motivo, e o motivo é quase sempre o mesmo: não deixar a pista morrer.
É por isso que na Team Brasa não separamos o DJ da animação. Para mim, sempre foram a mesma coisa.
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